terça-feira, 6 de outubro de 2015



Foto poesia: Gislaine Costa (IMAGIS)


Sobre Victor Gally, integrante do coletivo Eita.

Formado pela Escola de Teatro da UFBA, possui experiência em diferentes campos das artes cênicas. Desde a atuação, passando pela contrarregragem, direção de cena, produção executiva. Produções e montagens teatrais também fazem parte da sua carreira. Participou de Festivais Nacionais e Internacionais de teatro. Atua na produção de eventos e festas. No cinema atuou em curtas e longas como ator. Atualmente está como Stage Manager no musical Antes tarde do que nunca, produzido pela T4F, e no coletivo Eita Ação Cultural, como direção de cena.



Sobre a direção de cena, ou o anjo do espetáculo...


O cargo deriva do “stage manager” anglo-saxónico que agrega em si vários cargos da nossa organização mais francófona: Assistente de encenação, regisseur (comando de 
regie), gestão técnica de preparação e montagem. Portanto, o diretor de cena:“deveria ser uma espécie de coordenador geral de todas as tarefas, assegurando-se de que cada ator, cada técnico, cumpre a sua função no momento certo. Em espetáculo, ele deverá ser mesmo o maestro que dá as deixas para os efeitos de luz, de som, de maquinaria de cena, de entradas de atores em cena etc.
Ou seja, é responsável por assegurar todo o funcionamento técnico de um espetáculo”. (SOLMER, Antonio. In Manual do Teatro, 1999)
Anotar as reuniões em tabelas, uma espécie de atas técnicas, onde são recolhidas as informações de decisão criativa e posteriormente disponibilizadas à equipa. Promovem a organização e o calendário, evitando a sobrecarga na semana crítica, altura de maior stress da companhia. Organiza toda a documentação de empréstimos, alugueis, relatórios de condições e fotos de equipamentos, figurinos ou adereços, e providencia seguros, quando necessário, para os mesmos equipamentos, figurinos ou adereços, para o espetáculo, e para, inclusive, o público. Toma nota do desenrolar da criação no palco, movimentações, efeitos, indicações. Colige toda a informação técnica bem como as referências de investigação coletiva. Arquiva a documentação relativa ao desenho de luz, listagens de equipamento, plantas e cores. Da mesma forma arquiva digitalmente o som, suas directrizes e sonoplastia. Recolhe e arquiva instruções de lavagem de figurinos para posterior uso, esboços de cenografias e figurinos, e instruções de montagem de objetos cenográficos de cena, assim como, planos de construção, referências de tintas, até mesmo algumas amostras com características técnicas dos materiais.
Paralelamente organiza toda a informação necessária ao agendamento e promoção do evento: documentação promocional, textos e testemunhos, agenda de recolha de imagens, ensaios de imprensa, entre outros, que é fornecida à produção do espetáculo.
Também, tudo o que concerne ao normal desenrolar da produção do evento, inclusivamente o relato à produção das faltas, atrasos e eventuais desvios de conduta.
Durante o período de ensaios, o diretor de cena assume também o papel de criador: criador de espaços e tempos criativos, promovendo a discussão e antecipando desenlaces, criação de adereços, de substituição, marcação do espaço de cena a partir das propostas cenográficas com fitas.
Em tempo de espetáculo, a direção de cena assume um papel de liderança que, de certa forma, substitui o encenador. O objetivo é garantir a qualidade do espetáculo, com relatórios, manutenções, verificações, até mesmo dirigindo ensaios de reposição ou requalificação, bem como a capacidade de orientação e programação de montagem, desmontagem, transporte e arrecadação, ou seja, verificação de todos os aspetos da remontagem do espetáculo e a sua coerência com a estreia e o objeto artístico consumado por esta.
Hoje em dia, encontrar espaços alternativos, para criação e performance é comum. Surgiu um número de novas companhias, com características muito diferentes e com conceitos inovadores e diversificados para públicos. Muitas delas sem palco. Portanto, encontrar um espaço alternativo como a rua, fábricas, casas para apresentar os seus espetáculos é comum. Algumas destas companhias já nem sequer “desenham” espetáculos para palcos tradicionais à italiana.
Durante este período, o papel do diretor de cena tem vindo a desenvolver-se a partir de um papel meramente serviçal, que muitas vezes foi confundido com o contra-regra do espetáculo, para um papel de protagonista em backstage, organizando e criando os referidos espaços criativos, mas também criando condições necessárias para a eficácia do espetáculo nestes espaços alternativos.
A direção de cena só agora começa a ser reconhecida como integrante do processo criativo num espetáculo ou performance. Sem ela, ou sem os seus serviços e funções realizadas dificilmente o processo é calmo, organizado, produtivo e apreciado: e a realização teatral deve, apesar de tudo, ser um prazer para quem a faz.
A gestão da criatividade implica muito mais do que administração ou gestão, no entanto esta requer intuição, sensibilidade, resolução, inteligência e disciplina. Normalmente estas qualidades são encontradas em bons diretores de cena.
Conhecer as necessidades, e antecipá-las; construir as oportunidades criativas, para que toda a equipa as aproveite e desfrute; prever qualquer adversidade, que afete a produção, um performer deve somente preocupar-se com o espetáculo; durante o espetáculo fica responsável pela boa preparação e verificação do mesmo, garantindo o erro mínimo; operar o espetáculo pré- concebido em ensaios, sendo maestro de backstage das deixas, ou seja, dar ordens de acontecimentos e efeitos; conceber o livro de direção de cena, organizando-o com toda a documentação do espetáculo e sua organização; gerir a companhia em carreira de espetáculo, garantindo a qualidade artística da estreia; preparar e gerir tecnicamente todos os seus aspetos; preparar a desmontagem e encerramento do espetáculo, arquivando e arrecadando materiais e informações.


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