| Foto poesia: Gislaine Costa (IMAGIS) |
Sobre Victor Gally, integrante do coletivo Eita.
Formado pela Escola de Teatro da UFBA, possui experiência em diferentes campos das artes cênicas. Desde a atuação, passando pela contrarregragem, direção de cena, produção executiva. Produções e montagens teatrais também fazem parte da sua carreira. Participou de Festivais Nacionais e Internacionais de teatro. Atua na produção de eventos e festas. No cinema atuou em curtas e longas como ator. Atualmente está como Stage Manager no musical Antes tarde do que nunca, produzido pela T4F, e no coletivo Eita Ação Cultural, como direção de cena.
Sobre a direção de cena, ou o anjo do espetáculo...
O cargo deriva do “stage manager” anglo-saxónico que agrega em si vários cargos da nossa organização mais francófona: Assistente de encenação, regisseur (comando de
regie), gestão técnica de preparação e montagem. Portanto, o diretor de cena:“deveria ser uma espécie de coordenador geral de todas as tarefas, assegurando-se de que cada ator, cada técnico, cumpre a sua função no momento certo. Em espetáculo, ele deverá ser mesmo o maestro que dá as deixas para os efeitos de luz, de som, de maquinaria de cena, de entradas de atores em cena etc.
Ou seja, é responsável por assegurar todo o funcionamento técnico de um espetáculo”. (SOLMER, Antonio. In Manual do Teatro, 1999)
Anotar as reuniões em
tabelas, uma espécie de atas técnicas, onde são recolhidas as
informações de decisão criativa e posteriormente disponibilizadas
à equipa. Promovem a organização e o calendário, evitando a
sobrecarga na semana crítica, altura de maior stress da companhia.
Organiza toda a documentação de empréstimos, alugueis, relatórios
de condições e fotos de equipamentos, figurinos ou adereços, e
providencia seguros, quando necessário, para os mesmos equipamentos,
figurinos ou adereços, para o espetáculo, e para, inclusive, o
público. Toma nota do desenrolar da criação no palco,
movimentações, efeitos, indicações. Colige toda a informação
técnica bem como as referências de investigação coletiva. Arquiva
a documentação relativa ao desenho de luz, listagens de
equipamento, plantas e cores. Da mesma forma arquiva digitalmente o
som, suas directrizes e sonoplastia. Recolhe e arquiva instruções
de lavagem de figurinos para posterior uso, esboços de cenografias e
figurinos, e instruções de montagem de objetos cenográficos de
cena, assim como, planos de construção, referências de tintas, até
mesmo algumas amostras com características técnicas dos materiais.
Paralelamente organiza
toda a informação necessária ao agendamento e promoção do
evento: documentação promocional, textos e testemunhos, agenda de
recolha de imagens, ensaios de imprensa, entre outros, que é
fornecida à produção do espetáculo.
Também, tudo o que
concerne ao normal desenrolar da produção do evento, inclusivamente
o relato à produção das faltas, atrasos e eventuais desvios de
conduta.
Durante o período de
ensaios, o diretor de cena assume também o papel de criador: criador
de espaços e tempos criativos, promovendo a discussão e antecipando
desenlaces, criação de adereços, de substituição, marcação do
espaço de cena a partir das propostas cenográficas com fitas.
Em tempo de espetáculo,
a direção de cena assume um papel de liderança que, de certa
forma, substitui o encenador. O objetivo é garantir a qualidade do
espetáculo, com relatórios, manutenções, verificações, até
mesmo dirigindo ensaios de reposição ou requalificação, bem como
a capacidade de orientação e programação de montagem,
desmontagem, transporte e arrecadação, ou seja, verificação de
todos os aspetos da remontagem do espetáculo e a sua coerência com
a estreia e o objeto artístico consumado por esta.
Hoje em dia, encontrar
espaços alternativos, para criação e performance é comum. Surgiu
um número de novas companhias, com características muito diferentes
e com conceitos inovadores e diversificados para públicos. Muitas
delas sem palco. Portanto, encontrar um espaço alternativo como a
rua, fábricas, casas para apresentar os seus espetáculos é comum.
Algumas destas companhias já nem sequer “desenham” espetáculos
para palcos tradicionais à italiana.
Durante este período, o
papel do diretor de cena tem vindo a desenvolver-se a partir de um
papel meramente serviçal, que muitas vezes foi confundido com o
contra-regra do espetáculo, para um papel de protagonista em
backstage,
organizando
e criando os referidos espaços criativos, mas também criando
condições necessárias para a eficácia do espetáculo nestes
espaços alternativos.
A direção de cena só
agora começa a ser reconhecida como integrante do processo criativo
num espetáculo ou performance. Sem ela, ou sem os seus serviços e
funções realizadas dificilmente o processo é calmo, organizado,
produtivo e apreciado: e a realização teatral deve, apesar de tudo,
ser um prazer para quem a faz.
A gestão da
criatividade implica muito mais do que administração ou gestão, no
entanto esta requer intuição, sensibilidade, resolução,
inteligência e disciplina. Normalmente estas qualidades são
encontradas em bons diretores de cena.
Conhecer as
necessidades, e antecipá-las; construir as oportunidades criativas,
para que toda a equipa as aproveite e desfrute; prever qualquer
adversidade, que afete a produção, um performer deve somente
preocupar-se com o espetáculo; durante o espetáculo fica
responsável pela boa preparação e verificação do mesmo,
garantindo o erro mínimo; operar o espetáculo pré- concebido em
ensaios, sendo maestro de backstage
das
deixas, ou seja, dar ordens de acontecimentos e efeitos; conceber o
livro de direção de cena, organizando-o com toda a documentação
do espetáculo e sua organização; gerir a companhia em carreira de
espetáculo, garantindo a qualidade artística da estreia; preparar e
gerir tecnicamente todos os seus aspetos; preparar a desmontagem e
encerramento do espetáculo, arquivando e arrecadando materiais e
informações.












